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Fev07
PÁGINAS DA VIDA
Alegria
QUEM SOU EU? (Episódio nº 14) Continuando ainda no Campo Militar de Santa Margarida e ao serviço do Quartel General da 3ª. Divisão fui passando o tempo como era possivel, sempre a percorrer os outros quarteis que ali existiam, tais como o C I M (Comando de Instrução Militar), o B E nº. 3 (Batalhão de Engenharia nº 3) , o R C 4 (Regimento de Cavalaria nº 4) e também os diversos aquartelamentos de Companhias que ali faziam a instrução (I A O) para depois seguirem para o Ultramar Português para diziam defenderem as "nossas colónias", o que final não valeu de nada pois tudo era um sonho e uma maneira esquisita de muitos ganharem dinheiro à custa dos pobres militares miudos que eram os que guardavam as costas aos graúdos e lhes enchiam as algibeiras pois cada ida ao ultramar era uma promoção e dai um aumento de salário, por isso é que muitos ofiais passavam a vida cá e lá à procura de investimento salarial e não só, pois os negócios que daí provinham também eram chorudos, muitos oficiais viveram à grande fazendo fortuna à custa dos desprotegidos militares pequeninos que lhes serviam de trampolim para as caçadas de valores que dali vinham, Tudo isso acabou; as terras foram entregues aos donos e nós cá estamos a refletir se valeu a pena morrer e matar por uma coisa que não era nossa. Como eu já referi, não precisaram de mim lá no ultramar, e, acabei por cumprir o meu tempo militar todo cá dentro de portas ou seja no "Continente"; aprendi muito, passei bons momentos de camaradagem, tanto com praças como com oficiais das mais altas patentes com quem eu sempre me entendi muito bem e respeitei, daí eu ter obtido a 1ª. Classe de Comportamento averbada da minha Caderneta Militar de que me orgulho muito. Fui um militar cumpridor das minhas obrigações, por isso numca passei da cepa torta nunca ganhei dinheiro com a tropa que pudesse comer na vida civil, por isso uns meses antes de acabar o meu tempo de obrigação militar resolvi com a devida autorização do então Chefe do Estado Maior do Quartel General onde eu estava a prestar serviço, o Tenente Coronel Dias Gomes, um homem muito compreensivo para os seus subordinados; - ausentava-me eu então do quartel três dias por semana durante dois meses tempo este necessário para eu obter a carta de condução automóvel para poder enfrentara a vida civil depois de acabar a vida militar. Chegou o mês de Maio de 1969, - 21 de Maio de 1969, momentos finais de uma época, é chegada a tão esperada hora de fazer o espólio do fardamento que me tinha sido emprestado (sim emprestado) porque toda aquela trapalhada de roupa que eu usei durante três anos ao serviço da Pátria não era minha mas sim do Estado Português por isso eu tive que a devolver sem que lhe faltasse um botão que fosse. Finda esta cerimónia de entrega do espólio e com a respectiva guia de viagem, regressei então à minha "Terra Natal" para começar uma nova vida e feliz por ter cumprido a minha obrigação "MILITAR". (CONTINUA)

