Quarta-feira, 26 de Abril de 2017
Momento de Poesia

Casto Lírio

 

Meu casto lírio,

Terno delírio,

Glória e martyrio

Do meu amor!

Amo-te como

A haste do gomo,

O lábio o pomo,

E o olho a flor.

 

Se ao meu ouvido

Chega o rugido

Do teu vestido

Indo a roçar,

Que som me vibra,

Que me equilibra

A mim no ar?

 

E que arpa santa

É que me encanta

E enche de tanta

Consolação,

Quando uma fala

Terna se exhala

D´onde se embala

Teu coração?

 

Quando te vejo

De um simples beijo

Corar de pejo,

Mudar de côr,

Que susto é esse

Que me parece

Te empalidece,

Rosa de amor?

 

Quando no leito

Teu niveo peito

Sonho que estreito

E aperto ao meu,

Vendo tão perto

O céu aberto,

Porque desperto,

Anjo do Céo?

 

Não fujas, rosa,

Não fujas, gosa

Manhã mimosa,

Manhã de amor!

De folha em folha

A flor se desfolha

Bem cedo, e olha

Que és uma flor!...

 

Poema extraido do livro: "Campo de Flores" de João de Deus

publicado por Alegria às 20:43
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Terça-feira, 25 de Abril de 2017
Momento de Poesia

Sympatia

 

Olhas-me tu

Constantemente:

D´ahi concluo

Que essa alma sente;

Que ama; não zomba

Como é vulgar;

Que é uma pomba

Que busca o par!

 

Pois ouve: eu gemo

De te não ver!

E em vendo, tremo,

Mas de prazer!

Foge-me a vista...

Falta-me o ar...

Vê quanto dista

D´aqui a amar.

 

 

 

publicado por Alegria às 20:41
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017
Momento de Poesia

Amor

Não vês como eu sigo

Teus passos, não vês?

O cão do mendigo

Não é mais amigo

Do dono talvez!

 

Ao pé de uma fonte

No fundo de um vale,

No alto de um monte

De vasto horizonte,

Sem ti estou mal!

 

Sem ti, olho e canço

De olhar, e que vi?

Os olhos que lanço,

Acharem descanço,

Só acham em ti.

 

Os ventos que empolam

A face do mar,

E as ondas que rolam

Na praia, consolam

Tamanho pesar?

 

As formas estranhas

De nuvens que vão

Roçando as montanhas

Em ondas tamanhas

Distraiem-me? Não!

 

A pomba que abraça

No ar o seu par,

E a nuvem que passa,

Não tem essa graça

Que tens a andar!

 

Parece o pésinho,

De lindo que é,

Ligeiro e levinho

O de um passarinho

Voando de pé.

 

O rosto há em torno

Da pallida oval,

D´aquele contorno

Tão puro, o adorno

Da auréola immortal!

 

Não sei que luz vaga,

Mas intima luz,

Que nunca se apaga,

Me inunda, me alaga,

Se os olhos lhe puz!

 

Eu amo-te e sigo

Teus passos, bem vês!

O cão do mendigo

Não é mais amigo

Do dono talvez!

 

versos extraidos de "Campo de Flores" de João de Deus

publicado por Alegria às 21:10
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Sábado, 15 de Abril de 2017
Momento de Poesia

 

A Saudade

 

No passado, uma saudade,

No presente, uma amargura,

E no futuro, uma esperança

De imaginária ventura.

 

   Eis no que consiste a vida

Imposta por Deus ao homem.

Nisto se consomem dias!

Muitos anos se consomem!

 

Saudade é flor sem perfumes

Quando ainda verdejante,

Mas à medida que murcha,

Ai, que aroma inebriante!

 

A amargura é duro espinho,

Que nas carnes penetrando,

Faz desesperar da vida,

Suas flores definhando.

 

A esperança é frouxa luz,

Que nas trevas nos fulgura;

Vendo-a, ousados caminhamos;

Mas, ai, que pouco dura.

 

Quantos mais passos andados

Na agra senda desta vida,

Mais amargo é o presente,

E a saudade mais sentida.

 

Mas a esperança não; os anos

Fazem-lhe perder o brilho;

Caem-lhe uma a uma as folhas

Da existência pelo trilho.

 

A velhice nada espera.

Nada da esperança lhe dura...

Mas não, cansada da vida,

Tem a paz da sepultura.

Tem a morada fulgente

Da inteligência Divina;

Tem as regiões sagradas,

Que eterno sol ilumina.

 

Bendito sejas, meu Deus!

Que nos dás na vida inteira,

A filha dos céus, a esperança,

Por suave companheira.

 

Ela nos enxuga o pranto,

O pranto ardente e amargoso;

Não a acusemos de pérfida,

Esperar... já é um gozo.

 

A mente, esperando, concebe,

Conceção sempre iludida,

Prazeres talvez entrevistos

Nas cenas duma outra vida.

 

Esperamos pois companheiros

Desta fadigosa viagem;

Se a esperança é imagem do gozo,

Adoremos essa imagem.

 

E cruzando este oceano

Com os olhos no porvir;

Esqueçamos no presente

Se horríssono bramir.

 

E quando enfim, já cansados,

Reclinarmos nossa fronte,

Que a esperança nos revele

Mais dilatado horizonte.

publicado por Alegria às 21:58
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