Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
POESIA
                      AS MÁS COMPANHIAS
 
-Porque é que aquele grosso bago de uva, ainda há pouco são, está sentido?
- É porque, estando exposto ao vento, à chuva, a pouco e pouco tem apodrecido.
-Mas o que está ao pé, do outro lado,
                 bem abrigado
                 e protegido,
quase se encontra no mesmo estado.
- É porque, estando ao outro quási unido,
o companheiro o tem contaminado.
Por isso podes tu avaliar
              quanto as más companhias
              podem prejudicar.
Evita quanto puderes
andar em más companhias;
procura as boas se queres                                                           
ter suaves alegrias.
                                            João Rodrigues   (Alegria)
publicado por Alegria às 19:31
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Sábado, 27 de Janeiro de 2007
HINO À MINHA TERRA
       HINO À MINHA TERRA
               SEZURES
Sezures, terra de encanto
Cheia de virtudes e explendor
Por isso te quero tanto
Que te dou o meu amor.
     Oh! Senhora da Graça Padroeira
     Desta freguesia sem rival
     És a mãe mais verdadeira
     Da minha terra natal.
Óh! fontanário das duas bicas
Com a água tão fresquinha
Sempre a correr, a correr
Seja dia ou à noitinha.
     Óh! freguesia nobre e altiva
     Que na tua imensa vastidão
     Tens contigo outros povos
      Que te enchem o coração.
Da quinta do Valamoso
Dos Valdonaires ao Rio Dão
O Boco com o Santo António
A campina com o São João.
      Da Quinta da Ponte à Vacaria
      E a sua nova Capelinha
      A brilhar no meio da serra
      Com a sua Nobre Santinha.
"Sezures " forte e audaz
Com tua gente hospitaleira
Terra de "Amor e de Paz"
És uma aldeia da "Beira".
                           
    João Rodrigues    (um Sezurense)
(Nota: Repeti esta publicação porque na primeira houve um pequeno deslize
de alinhamento e pelo sucedido peço desculpa.)
                              
publicado por Alegria às 18:41
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007
PÁGINAS DA VIDA

       

                         QUEM SOU EU?  Episódio nº.12
       Fins de Setembro de 1966; guia de marcha na mão, roupa na já referida "mala de cartão"e, lá vou eu mais uma vez para a estação do comboio afim de tomar novo itenerário, desta vez o destino foi Tomar; - Regimento de Infantaria nº. 15 .
        Viagem feita, chegada à estação, vai de palmilhar uns quilómetros até ao quartel, pois o dito ficava fora da cidade; cheguei então ao local que iria ser a minha casa por alguns meses; apresentação feita, novo ambiente, novos companheiros de luta e novo ambiente de trabalho, pois a partir desta data a vida era outra; das 9 Horas da manhã até às 17 Horas  sempre agarrado à uma velha máquina de escrever e com o chorudo ordenado (o chamado "Pré" ) de 30$00 que deduzindo os descontos, sim porque os militares também faziam descontos ($50) recebia liquídos 29$50; foram assim os meses até que, sem ter direito a uns diazitos de licença resolvi abrir os olhos e partir para outra; era final de Março de 1967 resolvi ir adido  (emprestado) para o Quartel General da 2ª. Divisão em Santa Margarida, mais conhecido por "Campo Militar de Santa Margarida".
       Aí passei bons momentos: quartel pequeno, pouca gente, boa camaradagem, enfim éramos como uma familia; pasados 3 meses tive finalmente direito a uns dias de licença, " um mês de licença com viagens pagas para a minha santa terrinha ida e volta"
até parecia um felizardo a quem tinha saido a sorte grande; mas era assim, como éramos poucos, então todos os meses vinham  uns tantos de licença e nesses eram incluidos 2 com viagens pagas o que me aconteceu a mim duas vezes durantea minha estadia de vinte e seis meses e meio que lá estive a prestar serviço, mas tive mais vezes licença porque lá era de três em três meses vinhamos um mês de licença.
                                                        (CONTINUA)
publicado por Alegria às 21:15
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007
POESIA

                A VIDA      

A vida é um livro                                          Pois quando o verão acaba
Que alguém nos pôs à frente                        E o outono se aproxima
Para folhearmos diariamente                        A nossa vida vai mudando
Nas horas que vamos vivendo,                       E de vez em quando
E assim irmos percorrendo                            A chuva cai no nosso dia
Dela as diversas estações                              E vai pôr na nossa alegria
Que os nossos corações                                 As nuvens da tristeza
Estão obrigados a viver                                  E até a nossa mesa
Enquanto o coração bater                               Fica mais cruel e fria
Vamos caminhando hora a hora                       É este mundo em transição
Na primavera da vida                                      Que obriga o nosso coração
Onde tudo são rosas e alegria                         A este sofrimento feroz
Até que virá um dia                                         Que sendo pais e avós
O verão da nossa mocidade                             A vida por vezes atraiçoa
Temos então nessa idade                                 E sem ter gente boa
O brilho e o fulgor                                          Que os acarinhe e conforte
Toda a alegria e amor                                      Ao sentirem chegar o outono
Que a vida nos pode dar                                   Vivem então o abandono
Nem pensamos na falsidade                              Daqueles que amaram na vida
Que este mundo de maldade                              E por quem tanto lutaram
Nos irá dar um dia                                            E que agora fica esquecida.
 
                                          João Rodrigues    (Alegria)       
publicado por Alegria às 21:38
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007
PÁGINAS DA VIDA

 

                       QUEM SOU EU ?     Episódio nº 11   
          Junho - fins de Junho de 1966; está na altura de seguir para outra fase da minha vida; - destino - Regimento de Artilharia Nº. 4 - Leiria: guia de marcha na mão roupa na mala, a chamada "mala de cartão" tão usada nesse tempo e lá vou eu mais outros companheiros  a caminho do comboio e em seguida lá chega a partida para a viagem que nos levaria ao próximo destino.
          Chegados a Leiria, lá encontramos o repectivo Quartel onde fiquei alojado por mais algum tempo.
           Quartel pequeno mas com uma vista maravilhosa sobre a Cidade do rio Liz, que daria para inspirar poetas se alí os houvesse, achei  um lugar pacato e com uma certa paz onde nos agrada viver.
            Apresentação no quartel, novos aposentos, novo número me foi atribuido, desta vez o número "999", número um pouco esquisito mas foi o que me calhou e aí não há nada a fazer, é ficar com ele e cara alegre.
            Novas armas, novos oficiais, novos companheiros, nova instrução, nova aprendizagem, foi o romper de uma nova aurora na minha vida; ali aprendi a utilizar uma máquina de escrever pela primeira vez, e, digo-vos que até nem me saí mal porque quando passados três meses acabei o curso de Escriturário, consegui numa escala de 0 a 13, tirar 12,8 valores, o que mais tarde me valeu não ter sido mobilizado e ter que bater com os costados no então Ultramar donde toda a gente fugia naquele tempo.
            E assim cheguei ao fim do curso e tornei-me um soldado "pronto", assim se denominava um soldado depois de fazer a recruta e a especialidade.
            Fiquei então pronto e à espera de novo destino, sim porque alí não podia ficar uma vez que aquele quartel era só para se tirar a especialidade e a partir dali  teria que ir para outro lado.
                                                          (CONTINUA)
publicado por Alegria às 18:32
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007
POESIA
                SOLIDÃO
 
Mergulhado na solidão
    Está o meu pobre coração            
Por te amar tão cegamente
   É por ti, bem podes crer
Que ele bate até eu morrer
   Até parar para sempre.
 
Vagueando pelas ruas desertas    
    Como um simples sopro de vento 
Andarei à tua procura   
    E simplesmente para te ver   
Mesmo sabendo que vou sofrer
    Depois com essa loucura. 
 
A minha vida feita em pedaços
    Sem o calor dos teus braços
Que pode ela valer?
     Se sem ti o meu viver   
É uma constante melancolia
    Um coraçao retalhado
Por um punhal de lâmina fria
    Minha vida sem rumo
É como que desfeita em fumo
    A minha felicidade
Onde o barco dos meus sonhos
    Se vai debatendo nas ondas
Escarpadas da realidade.  
 
    Somos duas sombras
Fantasmas da desilusão
    Para quem o coração
Já não tem valor algum
    Coração desiludido
E entre espinhos metido     
    Coração sem rumo nenhum.       
 
 
                                 João Rodrigues     (Alegria)  
publicado por Alegria às 17:52
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007
PÁGINAS DA VIDA

                   QUEM SOU EU?      Episódio Nº. 10
           Ainda 1966: - Os dias passam, as semanas vão rolando e a instrução continua, aos Sábados há autorização para se ir á terra natal mas é complicado pois a barba tem que ser bem feita, as botas têm que ir bem luzidias e o militar tem que sair do Quartel com aprumo  porque se assim não fôr não recebe a respectiva autorização para sair.
           E então lá vou eu até à santa terrinha matar as saudades dos familiares para na Segunda Feira voltar ao mesmo ambiente.
           Chegou então o fim de Junho; é tempo de jurar Bandeira e chegou o dia para esse efeito; toda a gente na parada, vestidos com o fato de gala para podermos dizer aquelas frases que os nossos superiores nos tinham ensinado:
           - Juro defender a Pátria até à ultima gota de sangue, (Mentirosos) juro mais uma série de aldrabices que eles nos mandaram dizer e que a gente tinha que respeitar pois era esse o nosso dever, - sim era isso que eles diziam, (O nosso dever).
            Finda esta primeira parte chegou a altura de sabermos o que ia acontecer na fase seguinte, ou seja tirar a especialidade, ou seja tirar o curso para o qual as nossas capacidades seriam as ideais. - Foi então que eu com a minha 4ª. Classe do Ensino Primário, fui escolhido para frequentar um curso de Escriturário, ou seja fazer um curso de Dactilografia.
             Foi então que chegou a altura de dizer adeus ao "Papa Chouriços", sim porque eu ainda não vos tinha dito: - A gente chamava "Papa Chouriços" ao Quartel por estar perto da santa terrinha e daí a gente aos fins de semana ir lá buscar um farnelzito no qual se incluia um bocado de presunto e uns chouriçitos, daí o nome escolhido para o respectivo quartel, que assim deixava de ser o Regimento de Infantaria nº. 14 para passar a ter o cognome de "Papa Chouriços".  - Também nunca soube que tinha sido o Habilidoso que se tinha lembrado de pôr um nome destes a um quartel militar com o gabarito que aquele tinha, mas enfim são coisas que a vida nos trás e que nós temos que aceitar.
                                                                          (CONTINUA)
publicado por Alegria às 18:02
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